Gabriel Pereira
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21 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Os quatro erros mais caros nos seus investimentos

Você provavelmente sabe de cor quanto a sua carteira rendeu no ano passado. Talvez até com a casa decimal.

Agora experimente responder estas quatro perguntas, que não estão no aplicativo.

1. Para que serve esse dinheiro, quanto dele a sua família precisa ter e a partir de quando?

2. Se algo acontecesse com você amanhã, quanto ela pagaria de imposto e em quanto tempo teria acesso ao que está investido?

3. Por que tudo está na mesma moeda em que você já ganha, trabalha e mora?

4. Quem ganha o quê em cada produto que está aí dentro?

O extrato responde uma pergunta só, que é quanto rendeu. As quatro de cima apontam para erros que podem estar na sua carteira agora mesmo, enquanto aquele número segue bonito. Nenhum deles aparece ali.

Rentabilidade para quê?

O primeiro erro é tratar a rentabilidade como a variável central do plano. Ela é a mais fácil de medir, é a única que aparece em toda conversa sobre dinheiro, e é por isso que ocupa um espaço maior do que merece.

O problema é que ela não responde a pergunta que vem antes. Rentabilidade para quê? Sem saber de quanta renda a sua família vai precisar, a partir de quando e por quanto tempo, bater o CDI é um placar sem jogo. Você ganhou de quem, exatamente, e para chegar aonde?

Quando esse número existe, muita coisa muda de lugar. Às vezes o risco que se corre atrás de um ponto a mais de rentabilidade simplesmente não era necessário, porque o objetivo já estava coberto sem ele. Outras vezes a conclusão é o contrário, e o desconforto é descobrir que quem precisa mudar é o tamanho do aporte, que depende de você, e não a rentabilidade, que não depende.

Nos dois casos a resposta veio do objetivo, não do extrato. É a inversão que está na base de todo planejamento financeiro pessoal e familiar: primeiro os objetivos de vida, depois o produto.

O erro que só aparece quando ninguém pode mais corrigir

O segundo é o mais silencioso dos quatro e provavelmente o mais caro. Ele se parece com um seguro: a importância só fica óbvia no dia em que dá problema, e nesse dia não dá mais para contratar.

Se a segunda pergunta lá de cima ficou sem resposta rápida, é bem provável que não exista uma linha de planejamento sucessório na sua vida financeira. Nenhum testamento, nenhuma previdência com beneficiários corretamente definidos, nenhuma estrutura pensada para a transferência.

O custo disso não é teórico. O imposto estadual sobre herança e doação varia bastante conforme o estado. Até 2025, segundo o Colégio Notarial do Brasil, as alíquotas iam de 2% a 8%, com São Paulo cobrando 4% e Minas Gerais, 5%. A cobrança recai sobre o quinhão de cada herdeiro, ou seja, sobre a parte que cabe a cada um, e não sobre o patrimônio inteiro de uma vez. Some a isso honorários, custas, e um patrimônio que pode ficar travado até a partilha sair.

Nenhuma dessas contas é um problema de rentabilidade, e nenhuma delas melhora porque a carteira rendeu mais.

O contraste é que os instrumentos que resolvem boa parte disso são baratos e se organizam em vida: previdência com beneficiários definidos, doação com usufruto, testamento, e estrutura societária quando o caso pede.

Toda a sua vida já está apostada no mesmo lugar

O terceiro erro é o mais fácil de enxergar e o mais fácil de adiar. O Brasil respondeu por 1,93% do PIB mundial em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional. É um país que importa, e é uma fatia pequena do mundo.

Agora pense em onde estão a sua renda, a sua empresa, os seus imóveis e a sua aposentadoria. Se a resposta for "tudo aqui", a carteira não está diversificada. Ela está dobrando uma aposta que a sua vida inteira já fez.

Isso não é dizer que lá fora rende mais, porque não rende necessariamente, e eu já tratei disso em outro artigo aqui do blog, sobre Selic e juro em dólar. É gestão de risco elementar: quem tem a vida toda precificada em real não deveria ter também o patrimônio todo precificado em real.

Quem montou a sua carteira?

O quarto erro costuma explicar os três primeiros. Quando a remuneração de quem recomenda depende do produto recomendado, a carteira tende a refletir os incentivos de quem vendeu, e não os objetivos de quem comprou.

Quem ganha o quê em cada produto da sua carteira? Se você não souber responder, alguém já respondeu por você. Esse mecanismo é o assunto de outro artigo aqui do blog, sobre para onde apontam os incentivos de quem cuida do seu dinheiro, e é a razão pela qual eu sou remunerado exclusivamente pelo cliente, e não pelos produtos que recomendo.

O que os quatro têm em comum

Repare no padrão. Nenhum dos quatro aparece no extrato. Nenhum dos quatro se resolve com rentabilidade. E todos vêm da mesma inversão de ordem: começar pelo produto e só depois perguntar para que ele serve.

Patrimônio grande não protege ninguém de plano pequeno. Uma carteira pode render bem por anos e ainda assim deixar a família exposta no dia em que precisar, presa a uma única moeda e a um único país, e montada para remunerar quem a vendeu. As quatro coisas convivem sem nenhum conflito com um bom rendimento, e é exatamente por isso que passam despercebidas.

A ironia é que a rentabilidade tende a melhorar justamente quando deixa de ser o centro da conversa. Menos custo, menos giro, menos imposto e menos decisão tomada no susto.

Se a leitura deixou em você a sensação incômoda de que um desses quatro mora na sua carteira, essa sensação provavelmente está certa. A boa notícia é que os quatro têm solução, quase sempre mais simples do que parece, e nenhuma delas depende de acertar o próximo ano do mercado.

Que tal olhar para os quatro com calma, de forma personalizada, antes que a vida cobre a resposta? Vamos conversar?

Quer ajuda para colocar isso em prática?

Agende uma conversa inicial e entenda como um planejamento financeiro personalizado pode te ajudar.

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